Anúncio

Operação mira seis PMs investigados por mortes durante ação na capital



Mandados de prisão e de busca e apreensão são cumpridos contra policiais investigados pelas mortes de Kaíque Reis dos Santos, de 16 anos, e Mateus Daniel Chagas da Silva. MP diz que investigação aponta execução das vítimas e fraude processual.


                                                              Foto: Reprodução/Redes Sociais

Seis policiais militares são alvo da Operação Vinculum, deflagrada na manhã desta sexta-feira (17), pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), em conjunto com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e a Polícia Militar.

De acordo com a apuração da TV Bahia, três suspeitos foram presos até a última atualização desta reportagem. Eles foram identificados como: Soldada Jamile Maiara Reis dos Santos (presa em Lauro de Freitas); Cabo Arailton Climério Ferreira Júnior (preso no bairro Jardim Nova Esperança, em Salvador);
Soldado Tiago Costa Oliveira (preso no bairro Garcia, também na capital baiana).

A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão contra os agentes, investigados pelas mortes do adolescente Kaíque Reis dos Santos, de 16 anos, e de Mateus Daniel Chagas da Silva, de 21, durante uma ação policial no bairro de São Marcos, em Salvador, em setembro de 2025.

As ordens judiciais são cumpridas em Salvador e Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, em residências e locais onde os investigados trabalhavam. Os mandados foram expedidos pelo 2º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri da capital baiana.

Segundo o Ministério Público, os policiais são investigados por homicídios qualificados e fraude processual.

De acordo com o órgão, a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) aponta que as vítimas teriam sido executadas e que houve alteração da cena do crime, o que contraria a versão apresentada pelos policiais militares de que as mortes ocorreram durante um intenso confronto armado.

Ainda conforme o MP, o objetivo da operação é reunir provas complementares para o inquérito.

Relembre o caso

As mortes aconteceram na manhã de 28 de setembro de 2025, no bairro de São Marcos.

Na ocasião, a Polícia Civil informou que policiais militares realizavam rondas na região quando encontraram dois homens armados, que teriam atirado contra a guarnição. Segundo a ocorrência, houve revide e, após a troca de tiros, Kaíque e Mateus foram socorridos para o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), mas não resistiram aos ferimentos.

No entanto, moradores contestaram a versão apresentada pelos policiais. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou os dois baleados deixando o bairro desacordados, carregados por policiais e enrolados em lençóis, enquanto moradores protestavam.

Após a ação, moradores fizeram uma manifestação na Avenida Gal Costa, ateando fogo em objetos e cobrando justiça.

Em entrevista à TV Bahia na época, a mãe de Kaíque, Joselita dos Santos Cruz, afirmou que o adolescente era estudante, trabalhava em uma barbearia e começaria um novo emprego no dia seguinte. Ela negou que o filho tivesse qualquer envolvimento com a criminalidade.

Segundo a mãe, o jovem teria obedecido à ordem dos policiais para colocar as mãos para cima antes de ser baleado.
"Colocaram ele como traficante que foi encontrado com armas e drogas. Meu filho não traficava, não fazia nada disso", disse.

Na ocasião, a Polícia Militar sustentou que o adolescente morreu durante uma troca de tiros com equipes da corporação.

Policiais foram afastados

Três dias após o caso, em 1º de outubro de 2025, a Polícia Militar informou que os policiais envolvidos na ocorrência haviam sido afastados das atividades operacionais.

A corporação informou que os agentes prestaram depoimento individualmente, passaram por acompanhamento psicológico e permaneceram afastados das ruas enquanto eram realizadas as investigações.

Na época, a PM informou que a apuração ocorria em duas frentes: uma administrativa, conduzida pela Corregedoria-Geral da corporação, e outra criminal, sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Em nota divulgada naquele período, a Polícia Militar afirmou que não compactuava com desvios de conduta e que eventuais excessos seriam apurados, garantindo aos investigados o contraditório e a ampla defesa.

Agora, quase dez meses após as mortes, a investigação avançou para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra os seis policiais militares investigados. Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos até o momento apontam para a hipótese de execução das vítimas e alteração da cena do crime, versão diferente da apresentada inicialmente pelos agentes. Fonte: g1Ba








Comentários